Cachoeira é uma boa Cidade, já com visível caráter Paulista. Sobre a colina há um Hotel no qual os passageiros que não trouxeram provisões almoçam habitualmente, mas como devem tomar lugares e se ocupar das bagagens é freqüente deixarem o almoço em meio. Nós tínhamos almoçado cedo e, por isto, pude transportar com calma todo o meu povinho e as cestas, sacos, bolsas de viagem, malas de mão, etc., assim como arrumar tudo no Carro da Estrada do Norte e ainda providenciar o seguimento das grandes malas, o que é sempre necessário, pois a ordem ali reinante não é das melhores. Aliás, é chocante a diferença entre a brutalidade dos empregados da Estrada do Norte. Não se ganha com a mudança porque os Carros são bem elegantes, mas estreitos e incômodos. A bitola é estreita e por isto os carros também o são e falta-lhes comodidade. Os gabinetes de toilette são apertados, não há mesas e os lugares são demasiado estreitos para serem cômodos. Arranjamos com grande dificuldade a nossa bagagem miúda e o Carro se encheu de tal forma que nós estávamos como sardinhas em lata. A Cidade fica à beira do Paraíba e causa boa impressão.
O Artigo trata se de uma viagem entre o Rio de Janeiro e São Paulo, feita por ferrovia exatamente há 120 Anos atrás. O Autor do relato é Carl von Koseritz, um imigrante alemão, residente no Rio Grande do Sul e que por um curto espaço de tempo chegou a morar no Rio de Janeiro. Em meados da década de 1850 veio a se tornar jornalista, tendo lançado o seu grande jornal em 1864: "Koseritz Deutsche Zeitung", onde em 1883 ele publica o relato de sua viagem. Em 1885, este texto, juntamente com outros veio a ser publicado em livro na Alemanha, com o título de "Bilder aus Brasilien", que foi mais tarde traduzido e publicado no Brasil com o título de "Imagens do Brasil".
Ladrilhos hidráulicos no saguão
FOTO: HORA DE PRESERVAR
Prédio da estação Ferroviária de Cachoeira Paulista atualmente...

FOTO: HORA DE PRESERVAR

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Passado glorioso...
A locomotiva "Biriba"